segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Como de costume, cá estou eu a tentar escrever algo sobre mim ou meu dia.
Meu caderno aguarda meus escritos, meus dedos batem sobre a mesa, meus dentes levemente mordem a tampa da 'BIC', meus olhos se fixam em um ponto qaulquer e minha mente, de tanto pensar, nada conclui, nada produz.
Resolvi ouvir alguma música, para ver se me inspirava, mas olhei para minhas mãos e vi aquelas duas unhas descoladas, resultado de 'Ouro de Tolo'. Era melhor ficar no silêncio.
O silêncio já me corroía. Eu queria, precisava escrever, mas nada saía. Me frustrei. E isso me fez pensar na grande 'amargura' que senti na noite retrasada ao me dizerem "Sua mente está confusa, mas e seu coração?". Mas que diabos! Que mania chata de querer separar razão e emoção! Não consigo ter esse discernimento, uma acarreta a outra e a outra brota da uma. Prefiro deixar essa separação Apolínea/Dionisíaca para a literatura.
Literatura me fez lembrar Shakespeare ("já se apaixonou pelo amor?") hahaha cristo! Como me apaixono toda vez que o leio. Apaixono...
Essa palavra me rendeu uma certa 'irca'. Odeio que me 'empurrem' para os outros, odeio que digam "Ele gosta de ti, dê uma chance à ele.". Chega de pensar nos outros. Nunca me perguntam o que quero, se quero, o que sinto. Comparação boba, mas a Bruxa da Branca de Neve sempre foi má e se ferrou, eu sempre fui boa e me ferrei... por fim, a vida dela teve muito mais emoções que a minha. Cansei de ser palhaça dos outros. Falando em 'palhaça', como ri ontem, ai, como ri! Gargalhava comigo mesma, há tempos não sentia tanto prazer em rir e ficar sem ar. Exatamente, estava sem ar.
Resolvi tomar um fresco na varanda, quando minha 'vida virtual' me chamou, ri mais um bocado, peguei um pouco mais de birra, senti vontade de sumir e soltei minha última frase do dia: "Ester, não diga que estou aqui.". Eita dominguinho sem graça...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Só um lixo.

Um lixo.
Estou me sentindo um lixo.
Por tudo que penso,
tudo que falo,
tudo que faço,
tudo que quero.
Me desespero,
me descabelo,
me mato por tudo,
me mato por nada.
Sofro por amores,
sofro pelos outros,
sofro por sofrer.
Acostumei a não estar bem,
acostumei com o sofrimento.
Não gosto de piedade,
não gosto de maldade,
não gosto de inverdade.
Gosto de sentir,
gosto de sonhar,
gosto de imaginar.
Mas até quando?
Até quando isso me fará bem?
Gosto de quem não devia,
sinto quem não podia,
desejo quem não posso ter.
Um lixo, é isso que sou.
Um lixo como pessoa,
um lixo como sonhadora,
um lixo como tudo.
Não posso dizer que estou bem,
não posso dizer que estou feliz.
Não queria que isso estivesse acontecendo,
mas sou boba, tola, idiota.
Eu não queria,
mas não consegui fazer diferente.
Me apaixono, me apego,
me desdobro pensando.
Me encanto, admiro,
acho tudo incrível.
Me arrependo, me iludo,
isso já não quero.
Leio, releio, escuto.
Meus arrepios,
meus sorrisos,
minha mente...
Tudo já estremece.
O que acontecerá?
O que restará de mim?
O que sobrará disso?
Choro, tremo, temo.
Já não quero mas sentir.
Por mim,
é melhor partir
e acabar com tudo,
com todo esse lixo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

São exatamente 4:07 AM. Abro meus olhos. Me encontro em um local muito branco e com um cheiro um tanto desagradável. Estou no quarto 23 do hospital.
Uma complicação em minha infecção me fez parar nesta cama. Estou com dor, pálida, trêmula e com muito medo. Sim, estou com medo da morte. Não com medo do que vou encontrar após a "passagem", mas acho que ainda não está na hora.
Há menos de um mês conversei sobre o assunto com uma pessoa especial, de confiança. Disse para essa pessoa que não quero morrer como tantos morrem, não quero virar mais um número nessa maldita contagem de mortos por doenças. Quero ter pleno domínio e poder para dizer a hora de ir.
Tenho medo de falecer agora. Penso na faculdade que ainda não fiz, no DRT que ainda não tirei, nos sonhos que não concretizei e no amor que ainda não vivi. Temo simplesmente não ter aproveitado a vida como devia e queria. Temo ir sem ter dito o tão esperado "Eu te amo", sem ter sofrido a imensa alegria de criar um filho, sem ter ficado de porre, sem ter exposto meu projeto profissional ou ter tido minha "primeira vez".
Estou suando frio. Estico meu braço, pego minha bolsa que se encontra em cima do criado mudo. Passo um blush na maçã do rosto. Não quero paracer abatida. Fecho novamente meus olhos, sinto meu corpo afundar nesta horrível cama. Respiro fundo. Abro meus olhos na esperança de tudo ter sido fruto da minha imaginação. Mas não, aquela forte luz branca ainda me dói a cabeça.
Penso na vida como um filme. Traço uma linha de desejos a cumprir e aguardo ansiosamente o médico abrir aquela branca porta e me dar alta para eu poder sair e viver intensamente. Mesmo que eu vá viver 50 anos, mesmo que eu vá viver só mais um minuto.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

E assim seria...

Eu queria dormir, sonhar e ficar presa em meu sonho eternamente.
Não que eu não goste da vida real. Mas minha imaginação pode ser muito mais 'sugestível'.
Não digo que as pessoas a minha volta não são suficientemente boas para mim, ou que sou infeliz. Mas a pessoa do meu sonho muito mais me agrada e me deixa muito mais feliz.
Não posso dizer que por aqui não me divirto ou que não tenho tempo para mim mesma. Mas no meu sonho, eu estarei sorrindo quase que em 'período integral' e somente com essa pessoa eu estarei completa.
Não falo que minha cidade é ruim, ou que a mesma não tem 'beleza natural'. Mas lá, eu tería construído a minha cidade, colocaria a 'beleza natural' em evidência.
Não posso falar que aqui só ouço música ruim, ou que sou uma pessoa 'seca'. Mas no meu sonho, só irá tocar as músicas que me despertem sensações, minhas emoções estariam à flor da pele constantemente.
Não digo que me acho feia e gorda e que em meu sonho eu estaria magra e bonita. Mas lá, eu estaria incrivelmente bem comigo mesma.
Não estou, nem vou dizer que meu sonho é perfeito. Nele ainda existiria longos e terríveis dias de sol forte, ainda continuariam os assaltos e homicídios, minha TPM não acabaria e eu ainda me irritaria ao discutir sobre política. Mas se trata do meu sonho, do meu desejo, dos meus encantos e meus prazeres.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

"A vida é um beijo doce em boca amarga."