Como de costume, cá estou eu a tentar escrever algo sobre mim ou meu dia.
Meu caderno aguarda meus escritos, meus dedos batem sobre a mesa, meus dentes levemente mordem a tampa da 'BIC', meus olhos se fixam em um ponto qaulquer e minha mente, de tanto pensar, nada conclui, nada produz.
Resolvi ouvir alguma música, para ver se me inspirava, mas olhei para minhas mãos e vi aquelas duas unhas descoladas, resultado de 'Ouro de Tolo'. Era melhor ficar no silêncio.
O silêncio já me corroía. Eu queria, precisava escrever, mas nada saía. Me frustrei. E isso me fez pensar na grande 'amargura' que senti na noite retrasada ao me dizerem "Sua mente está confusa, mas e seu coração?". Mas que diabos! Que mania chata de querer separar razão e emoção! Não consigo ter esse discernimento, uma acarreta a outra e a outra brota da uma. Prefiro deixar essa separação Apolínea/Dionisíaca para a literatura.
Literatura me fez lembrar Shakespeare ("já se apaixonou pelo amor?") hahaha cristo! Como me apaixono toda vez que o leio. Apaixono...
Essa palavra me rendeu uma certa 'irca'. Odeio que me 'empurrem' para os outros, odeio que digam "Ele gosta de ti, dê uma chance à ele.". Chega de pensar nos outros. Nunca me perguntam o que quero, se quero, o que sinto. Comparação boba, mas a Bruxa da Branca de Neve sempre foi má e se ferrou, eu sempre fui boa e me ferrei... por fim, a vida dela teve muito mais emoções que a minha. Cansei de ser palhaça dos outros. Falando em 'palhaça', como ri ontem, ai, como ri! Gargalhava comigo mesma, há tempos não sentia tanto prazer em rir e ficar sem ar. Exatamente, estava sem ar.
Resolvi tomar um fresco na varanda, quando minha 'vida virtual' me chamou, ri mais um bocado, peguei um pouco mais de birra, senti vontade de sumir e soltei minha última frase do dia: "Ester, não diga que estou aqui.". Eita dominguinho sem graça...