quarta-feira, 17 de março de 2010

Cubículo de Um Dia

Quarto escuro, ele nunca esteve tão apertado, tão sufocador, tão angustiantemente bom. Estou sentada, encolhida no canto da cama, abraçando minhas pernas, enrolada na coberta, cheirando meu travesseiro e olhando para o nada.
Minha pupila está dilatada procurando alguma esperança em meio a esse caos. Sim, estou diante de um caos. Minha cabeça está a mil, minhas mãos tremem, meus dedos dos pés se recolhem e uma lágrima corre minha face. Olhos inchados, começo a roer as unhas.
Penso em tudo que fiz no dia, na semana, no mês, na minha vida. O que me levou a isso? O que me deixou assim? O que me despertou tal sentimento? Procuro algum outro suspiro que não seja o meu, mas não encontro. Estou sozinha e dessa vez não é uma solidão qualquer, não é a solidão que tanto gosto, dessa vez é um abandono no qual eu abandonei e também fui a abandonada.
Estou com medo, ensaio para que algum som saia de mim. Com uma voz trêmula e fraca, grito:
- Mãe! Mãe!
Mas não há ninguém em casa, não para mim, não para meus sentimentos.
Olho novamente o quarto buscando qualquer luz, qualquer coisa que me tire dessa situação e encontro algo que pudesse me distrair... lá no canto, encostada na parede está a minha infância, me observando, rindo de mim, de como já fui feliz... boba.
Entro em transe com essa criança, com essa memória. Fraca, meus dedos relaxam, minha boca se abre, meus braços se soltam das pernas, meus olhos lentamente se fecham e escorregando caio na cama, preparada para meus sonhos. Foi o fim de mais um dia.