Faltou coragem, faltou a vontade de crescer, faltou voz, faltou boca, sobrou ouvidos e arranhões. Eu sentia o ódio corroer, sentia a dor me consumir, sentia o desejo de sumir. Mas nada aconteceu. Aquela simples mania de deixar quieto, esquecer, não bater de frente, pela primeira vez me fez sentir repulsa, apertar os olhos e desejar a morte. A morte deles, delas e a minha. O costume de pensar que já vai passar, acabou. A história de ser sempre boa, teve fim. O querer me lançar nas minhas metas e defeitos, já chegou. O medo que eu tinha, sumiu, mas uma nova 'coisa', finalmente, surgiu. Capítulos de um livro (ainda só com os agradecimentos) está para ser escrito. Aguarde.
domingo, 29 de agosto de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Mais nada.
Acordei, me levantei, peguei meu caderno, fui escrever meu sonho, mas havia sido tão confuso que só consegui repassar duas frases para o papel e algumas palavras que ficaram soltas ao redor, na tentativa de expressar algum sentimento.
No banheiro encostei na porta e sorri, lembrando não sei o que, me olhei no espelho, fixei em meu olhar distante, mordi os lábios e desejei algo que não conheço. Escovei meus dentes lembrando algo que não vivi, liguei o chuveiro e lá, no banho, sentia que a água tirava toda a impureza que não vejo. Mesmo lavada, permaneci um tempo sentindo cada gora d'agua tocando minha pele, meus cabelos, minh'alma.
Me sequei observando meu corpo, vendo minhas imperfeições e... sorrindo. Saí do banheiro, olhei o relógio, estava atrasada. Me troquei rapidamente, peguei minha bolsa e saí. Na rua eu não reparo em ninguém, escutar Belchior e Thiago Pethit 'cantando em meus ouvidos' já aguça meus pensamentos e me transporta ao meu mundo paralelo.
Cheguei ao meu destino, fiz o que devia e 'voltei para a rua'. Quem me leva até meus pensamentos agora é Ana Cañas e Tiê. Vou trabalhar, sorrio no ônibus, todos me olham, mas não consigo desligar esse bem-estar de mim.
Trabalho pensando, até que deu a hora do almoço. Me troco, decido almoçar em casa. Queen e Elvis Costello me fazem lembrar do cansaço físico e mental, mas Cat Power despertou uma saudade que me consumiu. Desço do ônibus, ando por 2 minutos, abro o portão de casa, estou séria, cansada, a Mel lambe minha perna e estranhamente não brigo com ela, mal a olho.
Abro a porta, sem desligar tiro os fones do ouvido, puxo a bolsa do ombro, passo o trinco na porta, encosto na parede, me sento, abaixo a cabeça e choro, sem saber o porquê, sofro pela minha solidão, pela minha tristeza e por temer não dar conta, é tanta responsabilidade... Silêncio. Baixinho escuto 'Cherbourg' que ainda toca no celular como um mantra. Limpo as lágrimas, tiro meus sapatos e minha blusa, o calor me sufoca. Sento em frente à TV ainda desligada. Respiro fundo, fecho meus olhos, encosto minha cabeça, conto até 10, levanto. Tiro minha calça, prendo meus cabelos, ligo o computador e vou me trocar.
Mais um dia que não vou almoçar, mais um dia que o choro repentino resolveu me tomar, mais um dia que sonho em de noite o encontrar.
No banheiro encostei na porta e sorri, lembrando não sei o que, me olhei no espelho, fixei em meu olhar distante, mordi os lábios e desejei algo que não conheço. Escovei meus dentes lembrando algo que não vivi, liguei o chuveiro e lá, no banho, sentia que a água tirava toda a impureza que não vejo. Mesmo lavada, permaneci um tempo sentindo cada gora d'agua tocando minha pele, meus cabelos, minh'alma.
Me sequei observando meu corpo, vendo minhas imperfeições e... sorrindo. Saí do banheiro, olhei o relógio, estava atrasada. Me troquei rapidamente, peguei minha bolsa e saí. Na rua eu não reparo em ninguém, escutar Belchior e Thiago Pethit 'cantando em meus ouvidos' já aguça meus pensamentos e me transporta ao meu mundo paralelo.
Cheguei ao meu destino, fiz o que devia e 'voltei para a rua'. Quem me leva até meus pensamentos agora é Ana Cañas e Tiê. Vou trabalhar, sorrio no ônibus, todos me olham, mas não consigo desligar esse bem-estar de mim.
Trabalho pensando, até que deu a hora do almoço. Me troco, decido almoçar em casa. Queen e Elvis Costello me fazem lembrar do cansaço físico e mental, mas Cat Power despertou uma saudade que me consumiu. Desço do ônibus, ando por 2 minutos, abro o portão de casa, estou séria, cansada, a Mel lambe minha perna e estranhamente não brigo com ela, mal a olho.
Abro a porta, sem desligar tiro os fones do ouvido, puxo a bolsa do ombro, passo o trinco na porta, encosto na parede, me sento, abaixo a cabeça e choro, sem saber o porquê, sofro pela minha solidão, pela minha tristeza e por temer não dar conta, é tanta responsabilidade... Silêncio. Baixinho escuto 'Cherbourg' que ainda toca no celular como um mantra. Limpo as lágrimas, tiro meus sapatos e minha blusa, o calor me sufoca. Sento em frente à TV ainda desligada. Respiro fundo, fecho meus olhos, encosto minha cabeça, conto até 10, levanto. Tiro minha calça, prendo meus cabelos, ligo o computador e vou me trocar.
Mais um dia que não vou almoçar, mais um dia que o choro repentino resolveu me tomar, mais um dia que sonho em de noite o encontrar.
terça-feira, 23 de março de 2010
Tormento
Uma vela. Eu estava sob sua luz, estava fixada em sua chama, estava seguindo o choro de sua cera e sentindo dor... dor... dor... dor... dor... dor... uma dor que me incomodava cada vez mais e me guiava por toda aquela sala, sentindo cada movimento, sentindo cada vulto, sentindo mais ainda a minha dor.
Um toque em meu braço me fez mudar de rumo, senti aqueles dedos perfurando minha pele e quando achei que não podia piorar, aqueles mesmos dedos apagaram minha fonte de luz, fiquei indefesa diante de tamanha morbidez e escuridão.
Apaguei. Quando dei por mim estava diante daquela luz novamente, me encontrava de joelhos no chão de madeira, eu estava toda contraída, com as mãos entrelaçadas e os cabelos aquecendo na proximidade do fogo. Eu rezava e rezava, junto com ela, a menina de cabelos lisos que se encontrava na mesma situação que eu.
Percebíamos que algo de ruim ia nos acontecer, esperávamos com angústia um toque para o fim dessa agonia, para o fim dessa vida. Nossa reza aumentava quando ela deu um grito. Ele estava lá, a puxava pelos lisos cabelos e a levava para a escuridão total. Não tive coragem de olhar, de reagir, fui fraca, estava fraca, sou fraca.
O grito aumentava, eu sofria por ela, sofria por mim, a dor que havia sentido estava voltando com toda força, meu medo nunca havia sido tão grotesco e minha reza (nem sei se realmente rezei) nunca havia sido tão sincera. Eu só conseguia pensar nela, em seus gritos que me doíam a alma, em seu corpo que padecia e em mim, que seria a próxima vítima. Não sabia a que horas ele sairía da escuridão e me jogaria nessa treva, não sabia como me mover e nem conseguia pensar na possibilidade de uma 'trégua'. Dos meus olhos transbordavam lágrimas, minhas mãos tremiam, meu pés se cravavam no chão... e eu sentia. Ele estava se aproximando, sua respiração movimentava meus cabelos, o silêncio da menina me atormentava ainda mais e quando apertei meus olhos para sentir tal dor, ouvi uma voz dizer em alto e bom som "Congela!". Fim da cena, fim da improvisação. Fim da aula. Mas não foi o fim do meu medo e das minhas dores.
Um toque em meu braço me fez mudar de rumo, senti aqueles dedos perfurando minha pele e quando achei que não podia piorar, aqueles mesmos dedos apagaram minha fonte de luz, fiquei indefesa diante de tamanha morbidez e escuridão.
Apaguei. Quando dei por mim estava diante daquela luz novamente, me encontrava de joelhos no chão de madeira, eu estava toda contraída, com as mãos entrelaçadas e os cabelos aquecendo na proximidade do fogo. Eu rezava e rezava, junto com ela, a menina de cabelos lisos que se encontrava na mesma situação que eu.
Percebíamos que algo de ruim ia nos acontecer, esperávamos com angústia um toque para o fim dessa agonia, para o fim dessa vida. Nossa reza aumentava quando ela deu um grito. Ele estava lá, a puxava pelos lisos cabelos e a levava para a escuridão total. Não tive coragem de olhar, de reagir, fui fraca, estava fraca, sou fraca.
O grito aumentava, eu sofria por ela, sofria por mim, a dor que havia sentido estava voltando com toda força, meu medo nunca havia sido tão grotesco e minha reza (nem sei se realmente rezei) nunca havia sido tão sincera. Eu só conseguia pensar nela, em seus gritos que me doíam a alma, em seu corpo que padecia e em mim, que seria a próxima vítima. Não sabia a que horas ele sairía da escuridão e me jogaria nessa treva, não sabia como me mover e nem conseguia pensar na possibilidade de uma 'trégua'. Dos meus olhos transbordavam lágrimas, minhas mãos tremiam, meu pés se cravavam no chão... e eu sentia. Ele estava se aproximando, sua respiração movimentava meus cabelos, o silêncio da menina me atormentava ainda mais e quando apertei meus olhos para sentir tal dor, ouvi uma voz dizer em alto e bom som "Congela!". Fim da cena, fim da improvisação. Fim da aula. Mas não foi o fim do meu medo e das minhas dores.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Cubículo de Um Dia
Quarto escuro, ele nunca esteve tão apertado, tão sufocador, tão angustiantemente bom. Estou sentada, encolhida no canto da cama, abraçando minhas pernas, enrolada na coberta, cheirando meu travesseiro e olhando para o nada.
Minha pupila está dilatada procurando alguma esperança em meio a esse caos. Sim, estou diante de um caos. Minha cabeça está a mil, minhas mãos tremem, meus dedos dos pés se recolhem e uma lágrima corre minha face. Olhos inchados, começo a roer as unhas.
Penso em tudo que fiz no dia, na semana, no mês, na minha vida. O que me levou a isso? O que me deixou assim? O que me despertou tal sentimento? Procuro algum outro suspiro que não seja o meu, mas não encontro. Estou sozinha e dessa vez não é uma solidão qualquer, não é a solidão que tanto gosto, dessa vez é um abandono no qual eu abandonei e também fui a abandonada.
Estou com medo, ensaio para que algum som saia de mim. Com uma voz trêmula e fraca, grito:
- Mãe! Mãe!
Mas não há ninguém em casa, não para mim, não para meus sentimentos.
Olho novamente o quarto buscando qualquer luz, qualquer coisa que me tire dessa situação e encontro algo que pudesse me distrair... lá no canto, encostada na parede está a minha infância, me observando, rindo de mim, de como já fui feliz... boba.
Entro em transe com essa criança, com essa memória. Fraca, meus dedos relaxam, minha boca se abre, meus braços se soltam das pernas, meus olhos lentamente se fecham e escorregando caio na cama, preparada para meus sonhos. Foi o fim de mais um dia.
terça-feira, 2 de março de 2010
Irmandade
Há um tempo minha irmã pediu que eu fizesse um texto sobre ela. Sinto em dizer que jamais o farei, tanto por não saber de que maneira, como por saber que palavras apenas não são suficientes. Pensando no assunto, ousei traçar em minha mente uma 'linha do tempo' com tudo o que vivemos.
Lembrei de brigas. Várias e várias brigas que tivemos e o quanto rimos depois das mesmas. O quanto já judiamos da nossa prima e o tanto de teatrinhos e brincadeiras que fizemos na infância. Uma nostalgia me toma nesse momento. E nem as frases como "Eu queria uma irmã, mas não essa", faz diminuir minha admiração por ela.
Por 'culpa' dela me liguei às artes, me divertia ao voltar do curso e comecei a gostar da banda Nirvana, por exemplo. É meu exemplo de profissional, de amiga, de delicadeza e serenidade. Uma pena ser tão boba, tão boa e inocente. Vivemos num mundo em que gente assim só se dá mal, sobrevivência, minha cara.
Lembro de como (ainda) nos arrependemos de ter mudado de São Paulo, como ela esnoba por ter um autógrafo do Faíska e como omite ter um da Xuxa. Lembro das brincadeiras na casa da vó, de quando tentou me ensinar violino e eu ensiná-la piano. Lembro de como me ajudava a decorar textos para o teatro e como a ajudei a estudar literatura. Lembro das nossas tardes no clube, de como rimos do priminho gay da Jú e como choramos com a morte do Niél. Lembro de como nos divertíamos no trabalho voluntário e como foi triste quando mudou de escola.
Crescemos como carne e unha e por mais que essa unha tenha 'descolado', o DNA ainda está presnte. Somente oito horas de viagem nos separa, mas parece que é tão mais longe...
Nossas conversas 'via internet' são péssimas. É difícil uma entender a intenção da 'fala' da outra, afinal, nossos olhares sempre valeram mais que palavras.
Sei que o sucesso te espera, minha irmã, há um tempo você já está colhendo o que plantou. Sinto agora uma certa felicidade, uma saudade e um cheiro de bolo de cenoura (como aquele que sempre tentamos fazer e nunca deu certo).
Lembro de tantas e tantas coisas, que seria impossível listá-las. Não sei até onde essas lembranças podem me levar, então direi apenas que fico contente em saber que por mais que já tenhamos tido várias discussões, agressões físicas (crianças.. rs) e impasses, ainda somos cúmplices, melhores amigas e formamos (com excelência) essa irmandade.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Banquete Particular
Está serenando, um frio agradável toma todos os lugares. Dentro de casa, apenas um cômodo está iluminado. Na vitrola toca um tango. Mesa posta. Muitos dos convidados já chegaram.
Em poucos instantes estarei pronta e irei recebê-los.
Passo um perfume, coloco meu melhor vestido e desço aquelas longas escadas. Há tempos não me sentia tão bem, tão renovada, um pouco receiosa, mas querida.
Com um leve sorriso os comprimento. O escuro ainda reina na casa. A luz fraca da copa mal deixa eu visualizar os rostos. Minha cadeira está na ponta da mesa. Sento. Olho todo aquele banquete, entro em êxtase com aquela sensação de bem estar.
Coloco um pouco de comida em minha boca. Fecho meus olhos. Sinto o tempero, me delicío com a pimenta que levemente arde minha língua. Abro meus olhos, olho novamente para os convidados: a Consciência (minha melhor amiga) está ao meu lado direito, sempre atenta a todos; a Esperança, já está sonhando com a sobremesa; o Conhecimento, analisa todos os meus gestos; o Ódio me olha fixamente; a Alegria, ainda com os olhos fechados, sente o sabor do jantar; a Futilidade, analisa o tom das cores que compõem a mesa; a Imaginação, sorri ao ouvir o belo tango; o Desejo, encara o Ódio e a Imaginação, sempre com seu meio sorriso; a Beleza é a mais distante de mim, mas me olha com ternura e ao lado dela há uma cadeira vazia, como sempre... faltou Amor.
Respiro fundo, sorrio, abro minha boca, tenho que tratar de começar o assunto. Está na hora de conversar comigo mesma.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Como de costume, cá estou eu a tentar escrever algo sobre mim ou meu dia.
Meu caderno aguarda meus escritos, meus dedos batem sobre a mesa, meus dentes levemente mordem a tampa da 'BIC', meus olhos se fixam em um ponto qaulquer e minha mente, de tanto pensar, nada conclui, nada produz.
Resolvi ouvir alguma música, para ver se me inspirava, mas olhei para minhas mãos e vi aquelas duas unhas descoladas, resultado de 'Ouro de Tolo'. Era melhor ficar no silêncio.
O silêncio já me corroía. Eu queria, precisava escrever, mas nada saía. Me frustrei. E isso me fez pensar na grande 'amargura' que senti na noite retrasada ao me dizerem "Sua mente está confusa, mas e seu coração?". Mas que diabos! Que mania chata de querer separar razão e emoção! Não consigo ter esse discernimento, uma acarreta a outra e a outra brota da uma. Prefiro deixar essa separação Apolínea/Dionisíaca para a literatura.
Literatura me fez lembrar Shakespeare ("já se apaixonou pelo amor?") hahaha cristo! Como me apaixono toda vez que o leio. Apaixono...
Essa palavra me rendeu uma certa 'irca'. Odeio que me 'empurrem' para os outros, odeio que digam "Ele gosta de ti, dê uma chance à ele.". Chega de pensar nos outros. Nunca me perguntam o que quero, se quero, o que sinto. Comparação boba, mas a Bruxa da Branca de Neve sempre foi má e se ferrou, eu sempre fui boa e me ferrei... por fim, a vida dela teve muito mais emoções que a minha. Cansei de ser palhaça dos outros. Falando em 'palhaça', como ri ontem, ai, como ri! Gargalhava comigo mesma, há tempos não sentia tanto prazer em rir e ficar sem ar. Exatamente, estava sem ar.
Resolvi tomar um fresco na varanda, quando minha 'vida virtual' me chamou, ri mais um bocado, peguei um pouco mais de birra, senti vontade de sumir e soltei minha última frase do dia: "Ester, não diga que estou aqui.". Eita dominguinho sem graça...
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Só um lixo.
Um lixo.
Estou me sentindo um lixo.
Por tudo que penso,
tudo que falo,
tudo que faço,
tudo que quero.
Me desespero,
me descabelo,
me mato por tudo,
me mato por nada.
Sofro por amores,
sofro pelos outros,
sofro por sofrer.
Acostumei a não estar bem,
acostumei com o sofrimento.
Não gosto de piedade,
não gosto de maldade,
não gosto de inverdade.
Gosto de sentir,
gosto de sonhar,
gosto de imaginar.
Mas até quando?
Até quando isso me fará bem?
Gosto de quem não devia,
sinto quem não podia,
desejo quem não posso ter.
Um lixo, é isso que sou.
Um lixo como pessoa,
um lixo como sonhadora,
um lixo como tudo.
Não posso dizer que estou bem,
não posso dizer que estou feliz.
Não queria que isso estivesse acontecendo,
mas sou boba, tola, idiota.
Eu não queria,
mas não consegui fazer diferente.
Me apaixono, me apego,
me desdobro pensando.
Me encanto, admiro,
acho tudo incrível.
Me arrependo, me iludo,
isso já não quero.
Leio, releio, escuto.
Meus arrepios,
meus sorrisos,
minha mente...
Tudo já estremece.
O que acontecerá?
O que restará de mim?
O que sobrará disso?
Choro, tremo, temo.
Já não quero mas sentir.
Por mim,
é melhor partir
e acabar com tudo,
com todo esse lixo.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
São exatamente 4:07 AM. Abro meus olhos. Me encontro em um local muito branco e com um cheiro um tanto desagradável. Estou no quarto 23 do hospital.
Uma complicação em minha infecção me fez parar nesta cama. Estou com dor, pálida, trêmula e com muito medo. Sim, estou com medo da morte. Não com medo do que vou encontrar após a "passagem", mas acho que ainda não está na hora.
Há menos de um mês conversei sobre o assunto com uma pessoa especial, de confiança. Disse para essa pessoa que não quero morrer como tantos morrem, não quero virar mais um número nessa maldita contagem de mortos por doenças. Quero ter pleno domínio e poder para dizer a hora de ir.
Tenho medo de falecer agora. Penso na faculdade que ainda não fiz, no DRT que ainda não tirei, nos sonhos que não concretizei e no amor que ainda não vivi. Temo simplesmente não ter aproveitado a vida como devia e queria. Temo ir sem ter dito o tão esperado "Eu te amo", sem ter sofrido a imensa alegria de criar um filho, sem ter ficado de porre, sem ter exposto meu projeto profissional ou ter tido minha "primeira vez".
Estou suando frio. Estico meu braço, pego minha bolsa que se encontra em cima do criado mudo. Passo um blush na maçã do rosto. Não quero paracer abatida. Fecho novamente meus olhos, sinto meu corpo afundar nesta horrível cama. Respiro fundo. Abro meus olhos na esperança de tudo ter sido fruto da minha imaginação. Mas não, aquela forte luz branca ainda me dói a cabeça.
Penso na vida como um filme. Traço uma linha de desejos a cumprir e aguardo ansiosamente o médico abrir aquela branca porta e me dar alta para eu poder sair e viver intensamente. Mesmo que eu vá viver 50 anos, mesmo que eu vá viver só mais um minuto.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
E assim seria...
Eu queria dormir, sonhar e ficar presa em meu sonho eternamente.
Não que eu não goste da vida real. Mas minha imaginação pode ser muito mais 'sugestível'.
Não digo que as pessoas a minha volta não são suficientemente boas para mim, ou que sou infeliz. Mas a pessoa do meu sonho muito mais me agrada e me deixa muito mais feliz.
Não posso dizer que por aqui não me divirto ou que não tenho tempo para mim mesma. Mas no meu sonho, eu estarei sorrindo quase que em 'período integral' e somente com essa pessoa eu estarei completa.
Não falo que minha cidade é ruim, ou que a mesma não tem 'beleza natural'. Mas lá, eu tería construído a minha cidade, colocaria a 'beleza natural' em evidência.
Não posso falar que aqui só ouço música ruim, ou que sou uma pessoa 'seca'. Mas no meu sonho, só irá tocar as músicas que me despertem sensações, minhas emoções estariam à flor da pele constantemente.
Não digo que me acho feia e gorda e que em meu sonho eu estaria magra e bonita. Mas lá, eu estaria incrivelmente bem comigo mesma.
Não estou, nem vou dizer que meu sonho é perfeito. Nele ainda existiria longos e terríveis dias de sol forte, ainda continuariam os assaltos e homicídios, minha TPM não acabaria e eu ainda me irritaria ao discutir sobre política. Mas se trata do meu sonho, do meu desejo, dos meus encantos e meus prazeres.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
Doce Melancolia
Eita leveza que ele me dá...
Acordo pensando na nossa próxima conversa, em nossos últimos assuntos, em quanto o adoro.
Penso em como é forte essa doce melancolia que me agrada e me inspira, essa grande tristeza e solidão (que gosto, mas) que some ao olhar suas fotos, ao ler sua mensagem ou rever antigos recados. Não consigo achar uma explicação para tudo isso.
Agora, toca Roberto Carlos, suspiro e reflito sobre o que que ele deve estar pensando no momento. É como se acabasse o barulho de todos ao meu redor. Estou focada. Não consigo parar de sorrir, diminuir esse leve tremor, parar de pensar em suas piadas...
Uma confusão começa ao meu lado, pessoas discutem, mas não presto atenção em suas palavras. Só o que está em minha cabeça é ele, sua voz, seu rosto, mesmo que nunca os tenha visto.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Fora da Lei
Hoje, o que me parecia impossível, aconteceu...
Uma felicidade mórbida. Acordei com uma vontade incontrolável de ver a maldade. Não importava como. Podia ser uma grosseria, alguém sendo humilhado, ou até mesmo espancado. Horrível? Sim, eu sei. Uma pessoa como eu, que sempre foi dócil, educada, calma e adorável, agora com pensamentos quase terroristas.
Para minha sorte, encontrei pesoas com as quais pude compartilhar meu sentimento. E foi me sentindo uma insolente, que dei a ideia de fazer o terror por aí. Mas não queria participar, só queria assistir, admirar do camarote. Por fim, me convenceram e fomos. Nós três de "mãos dadas" tacar fogo mundo afora.
Me preparei psicologicamente, coração acelerado, eu jamais havia agido assim. Um medo gigantesco, misturado com muita adrenalina, ira e um prazer infinito. Durante alguns longos e loucos minutos eu me senti como uma criança fazendo travessuras, como uma digna fora da lei.
Acabamos com algumas pessoas, humilhamos, falamos tudo que pensávamos, claro de modo chulo, bem grosseiro, mas aquilo alimentava minha maldade. Eu queria sentir o gosto da discórdia.
Mas o medo bateu à minha porta, mas bateu tão forte que a derrubou. Não conseguia mais dizer nada, percebi que realmente não era má. A vontade passou, por um instante...até que começamos a falar de política...e meu espírito, vulnerável, se rendeu à maldade.
Uma felicidade mórbida. Acordei com uma vontade incontrolável de ver a maldade. Não importava como. Podia ser uma grosseria, alguém sendo humilhado, ou até mesmo espancado. Horrível? Sim, eu sei. Uma pessoa como eu, que sempre foi dócil, educada, calma e adorável, agora com pensamentos quase terroristas.
Para minha sorte, encontrei pesoas com as quais pude compartilhar meu sentimento. E foi me sentindo uma insolente, que dei a ideia de fazer o terror por aí. Mas não queria participar, só queria assistir, admirar do camarote. Por fim, me convenceram e fomos. Nós três de "mãos dadas" tacar fogo mundo afora.
Me preparei psicologicamente, coração acelerado, eu jamais havia agido assim. Um medo gigantesco, misturado com muita adrenalina, ira e um prazer infinito. Durante alguns longos e loucos minutos eu me senti como uma criança fazendo travessuras, como uma digna fora da lei.
Acabamos com algumas pessoas, humilhamos, falamos tudo que pensávamos, claro de modo chulo, bem grosseiro, mas aquilo alimentava minha maldade. Eu queria sentir o gosto da discórdia.
Mas o medo bateu à minha porta, mas bateu tão forte que a derrubou. Não conseguia mais dizer nada, percebi que realmente não era má. A vontade passou, por um instante...até que começamos a falar de política...e meu espírito, vulnerável, se rendeu à maldade.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
"Quando a esmola é demais o santo desconfia"
Ditado religioso que levo (mesmo não sendo religiosa) para a minha vida.
Pessoas efusivas. Sorrisos demais, falatórios demais, simpatia demais, confiança demais, felicidade demais. Ser feliz em excesso me incomoda. Não é possível ser 100% feliz, estar sempre de bem com a vida. Essa falsidade descontrolada anda muito fácil de se encontrar.
Elogios, carinhos e afetos em demasia. Não posso acreditar que sejam realmente sinceros. Onde foi parar o bom senso? Onde foi parar a verdade dos atos? Antes me irritava profundamente ir em lojas, fazer compras. Vendedores com sorrisos forçados, tentado ser adoráveis sempre. Mas agora, parece que todos ao meu redor são assim.
O que mudou? As pessoas perceberam que "pelo andar da carruagem" tem que ser falso para ser aceito pela sociedade? Ou o que mudou foi meu olhar sobre as mesmas?
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Visão de Mundo
Dizem que nascer é uma dádiva;
Dizem que falar "mamãe" pela primeira vez é a coisa mais linda;
Dizem que aprender a andar é dar um passo rumo ao futuro;
Dizem que ser criança é ser feliz;
Dizem que o primeiro amor é o mais puro e verdadeiro;
Dizem que o primeiro beijo nunca se esquece;
Dizem que na adolescência se vira "rebelde";
Dizem que a faculdade é a melhor época;
Dizem que casar é amadurecer;
Dizem que ter filhos é uma dádiva...
Só esquecem de dizer, que no amor você também sofre,
que quando criança não se entende os problemas mundiais,
que falar, nem sempre é o melhor,
que se pode andar e não chegar em lugar algum,
que a adolescência se resume em dúvidas,
que casar é conviver com os defeitos do outro,
que ter filhos é um gasto e cansaço inestimável,
que o Mundo nunca foi, nem será pacífico,
que a hipocrisia existia
e que por tudo isso, Shakespeare já dizia "Choramos ao nascer, porque chegamos a este imenso cenário de dementes".
Dizem que falar "mamãe" pela primeira vez é a coisa mais linda;
Dizem que aprender a andar é dar um passo rumo ao futuro;
Dizem que ser criança é ser feliz;
Dizem que o primeiro amor é o mais puro e verdadeiro;
Dizem que o primeiro beijo nunca se esquece;
Dizem que na adolescência se vira "rebelde";
Dizem que a faculdade é a melhor época;
Dizem que casar é amadurecer;
Dizem que ter filhos é uma dádiva...
Só esquecem de dizer, que no amor você também sofre,
que quando criança não se entende os problemas mundiais,
que falar, nem sempre é o melhor,
que se pode andar e não chegar em lugar algum,
que a adolescência se resume em dúvidas,
que casar é conviver com os defeitos do outro,
que ter filhos é um gasto e cansaço inestimável,
que o Mundo nunca foi, nem será pacífico,
que a hipocrisia existia
e que por tudo isso, Shakespeare já dizia "Choramos ao nascer, porque chegamos a este imenso cenário de dementes".
domingo, 24 de janeiro de 2010
Desejo
O encontrei. Ele estava caminhando pelas ruas escuras, vindo na minha direção sob a luz do luar. Parou diante de mim. Eu podia sentir sua respiração, admirava seus traços fortes, sua pele morena, me dopava com seu cheiro. Não havíamos trocado nem três palavras quando seus lábios tocaram os meus. Meu coração disparou, minhas pernas amoleceram, não sabia como reagir, não conseguia pensar em nada. Estava entregue àquele homem. Suas mãos acariciavam meu rosto. Mais tarde, em casa, no quarto, na cama, acariciava todo o meu corpo, eu não desejava mais nada além de o ter. O queria todas as noites ao meu lado. 6:30 AM. Toca o despertador. Ainda com sorriso no rosto olho ao meu lado, não havia ninguém. Só existia o desejo de um dia realmente o encontrar.
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