Está serenando, um frio agradável toma todos os lugares. Dentro de casa, apenas um cômodo está iluminado. Na vitrola toca um tango. Mesa posta. Muitos dos convidados já chegaram.
Em poucos instantes estarei pronta e irei recebê-los.
Passo um perfume, coloco meu melhor vestido e desço aquelas longas escadas. Há tempos não me sentia tão bem, tão renovada, um pouco receiosa, mas querida.
Com um leve sorriso os comprimento. O escuro ainda reina na casa. A luz fraca da copa mal deixa eu visualizar os rostos. Minha cadeira está na ponta da mesa. Sento. Olho todo aquele banquete, entro em êxtase com aquela sensação de bem estar.
Coloco um pouco de comida em minha boca. Fecho meus olhos. Sinto o tempero, me delicío com a pimenta que levemente arde minha língua. Abro meus olhos, olho novamente para os convidados: a Consciência (minha melhor amiga) está ao meu lado direito, sempre atenta a todos; a Esperança, já está sonhando com a sobremesa; o Conhecimento, analisa todos os meus gestos; o Ódio me olha fixamente; a Alegria, ainda com os olhos fechados, sente o sabor do jantar; a Futilidade, analisa o tom das cores que compõem a mesa; a Imaginação, sorri ao ouvir o belo tango; o Desejo, encara o Ódio e a Imaginação, sempre com seu meio sorriso; a Beleza é a mais distante de mim, mas me olha com ternura e ao lado dela há uma cadeira vazia, como sempre... faltou Amor.
Respiro fundo, sorrio, abro minha boca, tenho que tratar de começar o assunto. Está na hora de conversar comigo mesma.
Essas palavras me deixaram sem ter o que dizer... Esse texto é maravilhoso, como sempre você escrevendo com uma ternura e um carinho que acaricia nossos olhos e alma. Obrigado por escrever coisas tão lindas...
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