quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

São exatamente 4:07 AM. Abro meus olhos. Me encontro em um local muito branco e com um cheiro um tanto desagradável. Estou no quarto 23 do hospital.
Uma complicação em minha infecção me fez parar nesta cama. Estou com dor, pálida, trêmula e com muito medo. Sim, estou com medo da morte. Não com medo do que vou encontrar após a "passagem", mas acho que ainda não está na hora.
Há menos de um mês conversei sobre o assunto com uma pessoa especial, de confiança. Disse para essa pessoa que não quero morrer como tantos morrem, não quero virar mais um número nessa maldita contagem de mortos por doenças. Quero ter pleno domínio e poder para dizer a hora de ir.
Tenho medo de falecer agora. Penso na faculdade que ainda não fiz, no DRT que ainda não tirei, nos sonhos que não concretizei e no amor que ainda não vivi. Temo simplesmente não ter aproveitado a vida como devia e queria. Temo ir sem ter dito o tão esperado "Eu te amo", sem ter sofrido a imensa alegria de criar um filho, sem ter ficado de porre, sem ter exposto meu projeto profissional ou ter tido minha "primeira vez".
Estou suando frio. Estico meu braço, pego minha bolsa que se encontra em cima do criado mudo. Passo um blush na maçã do rosto. Não quero paracer abatida. Fecho novamente meus olhos, sinto meu corpo afundar nesta horrível cama. Respiro fundo. Abro meus olhos na esperança de tudo ter sido fruto da minha imaginação. Mas não, aquela forte luz branca ainda me dói a cabeça.
Penso na vida como um filme. Traço uma linha de desejos a cumprir e aguardo ansiosamente o médico abrir aquela branca porta e me dar alta para eu poder sair e viver intensamente. Mesmo que eu vá viver 50 anos, mesmo que eu vá viver só mais um minuto.