Uma vela. Eu estava sob sua luz, estava fixada em sua chama, estava seguindo o choro de sua cera e sentindo dor... dor... dor... dor... dor... dor... uma dor que me incomodava cada vez mais e me guiava por toda aquela sala, sentindo cada movimento, sentindo cada vulto, sentindo mais ainda a minha dor.
Um toque em meu braço me fez mudar de rumo, senti aqueles dedos perfurando minha pele e quando achei que não podia piorar, aqueles mesmos dedos apagaram minha fonte de luz, fiquei indefesa diante de tamanha morbidez e escuridão.
Apaguei. Quando dei por mim estava diante daquela luz novamente, me encontrava de joelhos no chão de madeira, eu estava toda contraída, com as mãos entrelaçadas e os cabelos aquecendo na proximidade do fogo. Eu rezava e rezava, junto com ela, a menina de cabelos lisos que se encontrava na mesma situação que eu.
Percebíamos que algo de ruim ia nos acontecer, esperávamos com angústia um toque para o fim dessa agonia, para o fim dessa vida. Nossa reza aumentava quando ela deu um grito. Ele estava lá, a puxava pelos lisos cabelos e a levava para a escuridão total. Não tive coragem de olhar, de reagir, fui fraca, estava fraca, sou fraca.
O grito aumentava, eu sofria por ela, sofria por mim, a dor que havia sentido estava voltando com toda força, meu medo nunca havia sido tão grotesco e minha reza (nem sei se realmente rezei) nunca havia sido tão sincera. Eu só conseguia pensar nela, em seus gritos que me doíam a alma, em seu corpo que padecia e em mim, que seria a próxima vítima. Não sabia a que horas ele sairía da escuridão e me jogaria nessa treva, não sabia como me mover e nem conseguia pensar na possibilidade de uma 'trégua'. Dos meus olhos transbordavam lágrimas, minhas mãos tremiam, meu pés se cravavam no chão... e eu sentia. Ele estava se aproximando, sua respiração movimentava meus cabelos, o silêncio da menina me atormentava ainda mais e quando apertei meus olhos para sentir tal dor, ouvi uma voz dizer em alto e bom som "Congela!". Fim da cena, fim da improvisação. Fim da aula. Mas não foi o fim do meu medo e das minhas dores.
Um toque em meu braço me fez mudar de rumo, senti aqueles dedos perfurando minha pele e quando achei que não podia piorar, aqueles mesmos dedos apagaram minha fonte de luz, fiquei indefesa diante de tamanha morbidez e escuridão.
Apaguei. Quando dei por mim estava diante daquela luz novamente, me encontrava de joelhos no chão de madeira, eu estava toda contraída, com as mãos entrelaçadas e os cabelos aquecendo na proximidade do fogo. Eu rezava e rezava, junto com ela, a menina de cabelos lisos que se encontrava na mesma situação que eu.
Percebíamos que algo de ruim ia nos acontecer, esperávamos com angústia um toque para o fim dessa agonia, para o fim dessa vida. Nossa reza aumentava quando ela deu um grito. Ele estava lá, a puxava pelos lisos cabelos e a levava para a escuridão total. Não tive coragem de olhar, de reagir, fui fraca, estava fraca, sou fraca.
O grito aumentava, eu sofria por ela, sofria por mim, a dor que havia sentido estava voltando com toda força, meu medo nunca havia sido tão grotesco e minha reza (nem sei se realmente rezei) nunca havia sido tão sincera. Eu só conseguia pensar nela, em seus gritos que me doíam a alma, em seu corpo que padecia e em mim, que seria a próxima vítima. Não sabia a que horas ele sairía da escuridão e me jogaria nessa treva, não sabia como me mover e nem conseguia pensar na possibilidade de uma 'trégua'. Dos meus olhos transbordavam lágrimas, minhas mãos tremiam, meu pés se cravavam no chão... e eu sentia. Ele estava se aproximando, sua respiração movimentava meus cabelos, o silêncio da menina me atormentava ainda mais e quando apertei meus olhos para sentir tal dor, ouvi uma voz dizer em alto e bom som "Congela!". Fim da cena, fim da improvisação. Fim da aula. Mas não foi o fim do meu medo e das minhas dores.