Há um tempo minha irmã pediu que eu fizesse um texto sobre ela. Sinto em dizer que jamais o farei, tanto por não saber de que maneira, como por saber que palavras apenas não são suficientes. Pensando no assunto, ousei traçar em minha mente uma 'linha do tempo' com tudo o que vivemos.
Lembrei de brigas. Várias e várias brigas que tivemos e o quanto rimos depois das mesmas. O quanto já judiamos da nossa prima e o tanto de teatrinhos e brincadeiras que fizemos na infância. Uma nostalgia me toma nesse momento. E nem as frases como "Eu queria uma irmã, mas não essa", faz diminuir minha admiração por ela.
Por 'culpa' dela me liguei às artes, me divertia ao voltar do curso e comecei a gostar da banda Nirvana, por exemplo. É meu exemplo de profissional, de amiga, de delicadeza e serenidade. Uma pena ser tão boba, tão boa e inocente. Vivemos num mundo em que gente assim só se dá mal, sobrevivência, minha cara.
Lembro de como (ainda) nos arrependemos de ter mudado de São Paulo, como ela esnoba por ter um autógrafo do Faíska e como omite ter um da Xuxa. Lembro das brincadeiras na casa da vó, de quando tentou me ensinar violino e eu ensiná-la piano. Lembro de como me ajudava a decorar textos para o teatro e como a ajudei a estudar literatura. Lembro das nossas tardes no clube, de como rimos do priminho gay da Jú e como choramos com a morte do Niél. Lembro de como nos divertíamos no trabalho voluntário e como foi triste quando mudou de escola.
Crescemos como carne e unha e por mais que essa unha tenha 'descolado', o DNA ainda está presnte. Somente oito horas de viagem nos separa, mas parece que é tão mais longe...
Nossas conversas 'via internet' são péssimas. É difícil uma entender a intenção da 'fala' da outra, afinal, nossos olhares sempre valeram mais que palavras.
Sei que o sucesso te espera, minha irmã, há um tempo você já está colhendo o que plantou. Sinto agora uma certa felicidade, uma saudade e um cheiro de bolo de cenoura (como aquele que sempre tentamos fazer e nunca deu certo).
Lembro de tantas e tantas coisas, que seria impossível listá-las. Não sei até onde essas lembranças podem me levar, então direi apenas que fico contente em saber que por mais que já tenhamos tido várias discussões, agressões físicas (crianças.. rs) e impasses, ainda somos cúmplices, melhores amigas e formamos (com excelência) essa irmandade.