segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ensaio sobre textos

Ok. Brindo minha volta contando minha vida. Vivo há 18 longos anos e moro, por enquanto, em Curitiba. Sou atriz e universitária. Vida difícil em cidade de 'primeiro mundo'. Para conseguir sobreviver - com uma ajuda e muita sorte - trabalho em uma das muitas casas de leitura e, como é de se esperar, leio mais que tudo. Esse ler me despertou um lado artístico antes desconhecido. Estou mais crítica, pouco mais criativa, com sensibilidade aflorada... Estou artista.

Após rápidos 4 meses, meu namorico acabou e só a emoção restou. Me destruo, me deprimo, me descabelo, o amo, o desejo, sonho, escrevo.

Devo confessar que o ter junto me inspirava, mas aprendi que a melhor amiga da escrita é a depressão. Ensaio textos e frases e argumentos e desenhos e crônicas e peças e músicas e tudo durante todo o dia. Leio, viajo, me dôo, me apago, me iludo, fantasio, choro, rio. Meus cadernos são rabiscos sem nomes, corações ou declarações. São ideias e criações de uma mente quase enlouquecida que finge tomar força naquelas terapias, mas que se energiza nas meditações. A alma circense de um clown augusto que corre toda manhã até o Botânico e se preocupa com as contas que acumulam no fim do mês.

Relembro minha vida de 4 meses atrás, de quando eu vivia para esperar e esperava para viver. Hoje tudo é novo, crio para viver, vivo para acontecer.

Vez ou outra vou abrir essa janela, criar uma luz nela e escrever a primeira coisa que me vier. Não é terapia, não é agonia. É escrever para vencer a brisa fria que entra no quarto e mancha o retrato.

Por fim, quem me conhece que me compre. "Um homem que o sr.K não via há muito o saudou com as palavras 'O sr. não mudou nada' 'Oh!', fez o sr.K, empalidecendo." - O reencontro - Histórias do Sr. Keuner de Bertolt Brecht.

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